A CIMEIRA QUE OS PERTURBOU

A HISTÓRIA CONTINUA


A turba canora ao serviço da exploração e da opressão capitalista, prossegue o afinado coro de raivas, ódios e insultos contra o Presidente Hugo Chavez - ao mesmo tempo que se desdobra na adulação louvaminheira ao ínclito Rei Juan Carlos e ao ofendido democrata Aznar.

Percebe-se que assim seja: o que se passou na Cimeira Ibero-Americana não estava nas previsões destes propagandistas de serviço, pagos - e bem pagos! - para escrever o que aos donos do mundo interessa que seja escrito.

Eles acreditaram mesmo no «fim da história» que uma Fundação norte-americana encomendou a um tal Fukuyama, há uns quinze anos atrás. E, assim sendo, a afirmação clara e frontal, na Cimeira, de que a História Continua, perturbou-os, desaustinou-os, fê-los perder as estribeiras.

Esses escribas de serviço - com lugares cativos nos média propriedade do grande capital - não toleram que esses chavez, morales, ortegas, lages... - conjuntamente com milhões de trabalhadores em todo o mundo - digam, todos os dias, em palavras e actos, que há uma alternativa à barbárie capitalista: o socialismo - e que essa alternativa será vencedora. Quem sabe se mais cedo do que tarde...

É nisso, então, que reside a essência dos ódios que vertem ao «fascista» atirado por Chavez a Aznar. É nisso, então, que reside a essência dos louvores ao «por qué no te callas?» atirado pelo Rei a Chavez.

A representação de hoje coube ao inevitável Pedro Lomba (PL) no inevitável Diário de Notícias.
PL cumpriu a tarefa, aliás de fácil execução: fazendo uso da cassette disponível, curvou-se e beijou a mão do «magnífico Rei de Espanha», e disparou sucessivas rajadas de insultos contra «o ditador» Hugo Chavez.

Para PL é crime inominável «insultar Aznar de fascista».
E para o mesmo PL, quem tal «insulto» proferiu foi esse sinistro Chavez com o seu «regime populista e autoritário, pouco importa se apoiado pela maioria dos venezuelanos»; esse tenebroso Chavez que «usa uma linguagem entra a paranóia e a arruaça»; esse «triste Chavez» de «baixo quilate»; esse Chavez «ditador da Venezuela» - enfim, esse Chavez sobre o qual, PL pergunta, respondendo: «Não serás tu o fascista, ó Chavez?».

Até aqui, nada de novo: é PL igual a si próprio, isto é: gémeo de todos os seus colegas de ofício.

Mas, a dada altura, decide elevar o nível da sua reflexão: desprezando as «orações injuriosas» de Chavez, PL, sobranceiro, majestático, puxa dos seus (e dos seus colegas) galões democráticos e apresenta-se (e aos seus colegas): «nós, os que acreditamos que a democracia não depende só de votos mas de uma certa legitimidade de exercício, os que acreditamos numa comunidade organizada segundo princípios da democracia liberal (liberdades, separadas dos poderes, checks-and-balances, respeito pela oposição, responsabilidades e prestação de contas), os que acreditamos que os recursos de um país devem ser geridos e distribuídos de forma transparente, sem tentações clientelares ou chantagistas.»

Assim ficámos a saber do que consta a democracia de PL e dos seus colegas.
Infelizmente, PL esqueceu-se de nos dizer onde é que podemos encontrar um exemplo - um, apenas um - do paraíso terreal que anuncia.
E assim, fechando o seu segredo a sete chaves, o cruel PL obriga-nos a viver no inferno que é esta espécie de democracia em que vivemos.

6 comentários:

Anónimo disse...

«Não serás tu o fascista ó Pedro Lomba»
Certos (jornalistas) fazem-me lembrar aqueles criminosos que, fazem crimes por encomenda, até aquí o voto de braço levantado, não era(democrático), agora ,o voto secreto pelos vistos tambem já não é suficiente?
O cerco aperta! Os CHAVEZ os ORTEGAS OS FIDEL OS LAGOS, MULTIPLICAM_SE, os fascistas e os fascistazinhos, estão a entrar em desespero. CUIDADO COM eles!
José Manangão

João Filipe Rodrigues disse...

Bem "eles" querem que nos resignemos à fatalidade instalada, como se nada podêssemos fazer para alterar o caminho a que humanidade está entregue.
Há quem afirme que outro rumo é possível, é isto que os faz vacilar.
Ui, muito eles tremem e temem.

Anónimo disse...

Aqueles que apenas sabem rastejar perante os poderosos estão a ficar assustados. Tenhemos piedade deles que não sabem o que fazem. Mas temos que continuar a luta em Portugal, venezuela e em todo o lado. um outro mundo é possível. viva a heróica luta dos povos contra o capitalismo e o fascismo.

Fernando Samuel disse...

É isso: cuidado com eles; outro rumo é possível; temos que continuar a luta.

A vitória é difícil mas é nossa.

Abraços.

Ana Maria Teixeira disse...

Tentam formatar-nos as cabecinhas para que nos conformemos e não nos revoltemos contra aqueles que maldosamente exploram o povo e enchem as mãos ao serviço do grande capital. Pois se os há que se conformam, também os há, e cada vez mais, os que lutam, cabe-nos consciencializar e mobilizar as pessoas para que lutem junto a nós, não porque convém, mas porque esse é o caminho e é nosso direito. Piedade deles? Penso que sabem bem o que fazem, daí o medo dos que são capazes de os enfrentar e de forma justa expor a verdade (o medo é uma boa arma para os desarmar e fazê-los cair). Deixemo-los de mãos vazias com a nossa luta e aos poucos mudemos o rumo da história que ainda tanto tem para contar. Oh! se tem... Hasta la Victoria Siempre!

Fernando Samuel disse...

«Oh! se tem...»: e somos nós, com a nossa luta, que faremos a história contar tudo o que ainda tem para contar.